terça-feira, 22 de abril de 2008

Esmeralda tem 90 dias para se habituar ao pai



Pedopsiquiatras de Coimbra substituídos por equipa de Santarém
Tendo em conta o "superior interesse" de Esmeralda, e por considerar que não está garantido que a entrega ao pai se fizesse, nesta altura, sem custos demasiado elevados para o equilíbrio da saúde física e psíquica da menor, a juíza do Tribunal de Torres Novas, Sílvia Pires, suspendeu a ida da criança para o pai biológico por mais 90 dias."Estávamos à espera que fosse esta a decisão", reagiu Luís Gomes, que, com sua mulher, Adelina Lagarto, detém a guarda da criança desde que a mãe biológica, Aidida Porto - uma imigrante brasileira -, a entregou ao casal, em Maio de 2002, com pouco mais de três meses. Mas a substituição da equipa médica que acompanha a criança, imposta pelo mesmo despacho, deixou o casal insatisfeito e Luís Gomes contestou mesmo a troca da equipa do Centro Hospitalar de Coimbra por outra, constituída por médicos do Hospital Distrital de Santarém."Era a nossa expectativa e a melhor decisão que a juíza podia ter tomado, embora seja provisória", afirmou o advogado de Aidida Porto, Tomás Albuquerque, reagindo ao despacho da magistrada que adia, mais uma vez, a entrega da menor ao pai, Baltazar Nunes. "Se é bom ou não ainda não se sabe, mas, para já, permite o incremento da relação com os pais", disse. Por seu lado, o advogado José Luís Martins, em representação de Baltazar Nunes, afirma entender que a juíza, em função dos elementos de que dispunha, embora não tenham sustentação, teria de adiar a passagem." E reforça: "Entendemos e aceitamos, mas julgamos que bastavam 45 ou 60 dias." "O facto é que o departamento de pedopsiquiatria não colaborou de forma activa para preparar a criança de forma a dar cumprimento à decisão judicial", disse. Concorda, por isso, que tenha sido mudada a equipa médica. Para este advogado, aquele departamento "produziu um relatório surreal que desqualifica o pai; um documento absolutamente censurável e muito lamentável". A equipa de pedopsiquiatria de Coimbra, que não esteve disponível para responder ao DN, recusou-se a aceitar, em Dezembro de 2007, após o acórdão do Tribunal da Relação de Coimbra, que dava 90 dias para que a criança fosse entregue ao pai, que lhe exigissem um prazo para preparar a menor. Ao que tudo indica, segundo o actual estado de saúde de Esmeralda - confirmado pelos pedopsiquiatras no último relatório que terá sido decisivo para o novo adiamento -, a criança apresenta problemas de ansiedade com sintomatologia depressiva. Após a recusa dos pedopsiquiatras em aceitar o prazo que era estabelecido, Baltazar tem vindo a mostrar um confronto crescente com os médicos da equipa e equaciona a possibilidade de agir judicialmente contra todos os técnicos daquela equipa.

in Diario de Notícias

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